quarta-feira, 12 de setembro de 2007

47


Conforme a gente vai avançando na idade é cada vez mais raro que ela seja um número primo, que é o meu caso nesse ano. O último foi há 4 anos e o próximo só daqui a 7.... e, claro, os números primos tem características muito especiais (e não estou falando de numerologia que, pessoalmente, acho uma besteira - já vou arranjar mais desafetos...). A mais importante é o fato de serem indivisíveis. Mesmo porque dividir por um não chega a ser divisão, e ser divisível por sí próprio muito menos.

Não deixa de ser uma analogia interessante com a indivisibilidade do ser, exceto nos casos de esquartejamento, é claro. Por mais que pessoas se apresentem de formas diferentes, elas continuam sendo únicas. No meu caso pessoal, muitos estranham a mistura do meu lado sério com o meu lado humorado (ou mal humorado). Meu lado racional com o lírico. O religioso com o científico. Como se qualquer uma dessas facetas fosse incompatível com as demais.

Não vou nem falar nas possíveis percepções de esquizofrenia, senão daqui a pouco minha psicóloga de plantão me manda um e-mail corrigindo a minha terminologia e os meus conceitos. Mas que eu já ouvi isso a meu respeito...isso já ouvi (e não foi uma vez só). Também não creio que as diferentes facetas sejam meras manifestações circunstanciais do mesmo ser, como se fosse possível desligar uma num interruptor, enquanto a outra funciona. Estão todas lá ao mesmo tempo e isso é que realmente "expressionante" (brigadim pelo termo Marta Gil).

Na maioria das vezes esse fato tem me gerado alguns elogios e boas amizades, mas tenho me divertido muito mais com as referências jocosas e pseudo-ofensivas (pseudo porque eu acho graça delas). Eles tem razão, conforme fico mais velho estou ficando mais intolerante. Especialmente intolerante à má ou à falsa informação e muito mais intolerante à irresponsabilidade de quem as distribui massivamente. Muitos me chamam de xiita. Não poucos de Ogro. Incoerente, grosso e arrogante são as mais leves que ouvi recentemente, as de baixo calão eu poupo os meus leitores. Enfim, como eu acho que pessoas que não tem ambiguidades nem paradoxos são muito chatas, eu sigo em frente insanamente desse jeito mesmo.

Aqui, eu queria deixar meu agradecimento aqueles que, apesar disso, ainda gostam de mim e que dedicaram parte do seu tempo a me mandar mensagens de feliz aniversário. Aos que não gostam, deixo que reflitam sobre o fato de que, mesmo que não estejam num número primo, eles também são indivisíveis, complexos e únicos e se, como disse sabiamente diria Nelson Rodrigues, toda a unanimidade é burra, eu não quero ser uma burrice.

Mais do que isso , como reconheceria Moisés no seu Salmo, tudo depende da vontade daquele que nos criou a quem pedimos que "Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus; e confirma sobre nós a obra das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos."(Salmo 90:17)

6 comentários:

Taty disse...

O indivisível é único, ele é o senhor de si, o rei, a rainha, o imperador, a imperatriz, os seus próprios altos e baixos, seus próprios aspectos positivos e negativos, suas próprias características.
É por isto que a Obra do Criador é perfeita: mesmo na aparência, todos os seres, independente do reino a que pertençam, são indivisiveis.
Agora também lembrei que estou na fase do indivisivel, então deixo uma dica pra nós 2: sejamos nós mesmos, principalmente enquanto durar a indivisibilidade e vamos curtir a frase: Você pra mim é problema seu!

Volney Faustini disse...

Com três incompletos semestres de Psicologia nas Faculdades Objetivo de então (UNIP hoje) posso asseverar-lhe que TODOS nós somos esquizofrênicos e assim nos revelamos na internet.

Não sei porque mas Whitman já disse:
Do I contradict myself?
Very well then I contradict myself,
(I am large, I contain multitudes.)


E também poemizou muito bem:

O to make the most jubilant poem!
Even to set off these, and merge with these, the carols of Death.
O full of music! full of manhood, womanhood, infancy!
Full of common employments! full of grain and trees.

O for the voices of animals! O for the swiftness and balance of fishes!
O for the dropping of rain-drops in a poem!
O for the sunshine, and motion of waves in a poem.

O the joy of my spirit! it is uncaged! it darts like lightning!
It is not enough to have this globe, or a certain time—I will have thousands of
globes,
and all time.


(Poems of Joy)

Grande abraço

Patricia disse...

Querido amigo e guru,

Muitos outros anos de vida para voce, primos ou nao !

Um grande beijo

Pat

Pessoa Comun disse...

gosto da idéia dos "primos" únicos, indivisiveis, mas prefiro a idéia que mais se parece com o que conheço de vc que se divide entre mil afazeres , amigos e famila.Expressionantes é demaisssss, de resto não comentárei mais pra não ser redunte...

bijim de pós-comemorações

Vilma disse...

Aqui estou, preferindo ser burra na unanimidade dos seus amigos...

M. le Moulin disse...

Merecidos e bem-vividos 47 anos de vida, que alegram a indivisibilidade dos que tiveram a oportunidade de te conhecer, pessoal e virtualmente também.

Como "remark", a sugestão de que aos 48, não-primos, vc deixe os descontentes de lado e preocupe-se mesmo só com aquilo que importa da vida, quem te ama e respeita... os demais, são pura tonteria, não merecem tantas linhas em uma data tão especial.

Se cuida, guru!