quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Desencaixotando insanidades


Caixas servem para guardar tudo, algumas para sempre como os caixões, outras para serem rapidamente abertas, como as caixas de presentes.

Caixas de mudança servem para surpreender. Para o bem e para o mal. Caixas que surgem no meio da sala com objetos que nem lembrava mais que existiam. Alguns, gostaria que não existissem mais e nem sei bem o porque de tê-los guardado (esperança ? masoquismo ?). Pior, alguns destes insisto em continuar guardando e passo a tarde procurando qual é o melhor lugar para tanto. Vou deixá-lo mais aparente ? Vou achar um buraco onde não o veja, apesar de sabê-lo presente ?

Encontrei de tudo nas caixas. Por outro lado, algumas coisas que procuro, ainda não localizei. Minha casa parece a chácara do Chico Bolacha, onde o que se procura, nunca se acha.

Achei fotos, agendas, cartas. Achei receitas, cadernos de poemas e até uma história em quadrinhos que fazia no ginásio junto com um amigo que desenhava meus roteiros. Achei programas de teatro e de concertos. Discos de vinil e livros de capa dura.

Achei sonhos esquecidos, promessas não cumpridas, beijos que não dei e até beijos que dei e foram desprezados. Achei guias de viagem de países para onde não fui, alguns de países que não existem mais.

Amanhã vou continuar abrindo caixas, ainda são muitas. Não sei o que me espera, não vou me preparar para elas : que continuem me surpreendendo.

Em noites como esta

Em noites como esta havia o silencio
E o silêncio comia as palavras
As palavras absorviam pensamentos
Lentamente morrendo.

Em noites como esta havia a nudez
emudecendo e oprimindo
luzes outrora acesas
vozes então ruidosas.

Em noites como esta
Nem sei quantas foram
Mal dormidas em chãos duros
de celas interiores
A porta que ameaçava se abrir
Alguém que segurava a maçaneta
mantendo a chave na mão.

Em noites como esta.

13.02.80 (encontrado em uma das caixas)

4 comentários:

Vilma disse...

Se o conteúdo das outras for igual a estes versos, não abra mais caixas, mande algumas por sedex e terei o maior prazer em abri-las...ahuahuahua

Anônimo disse...

Suas lembranças troxeram as minhas à tona..

O poema? significativo e belo

bijim de malmal e sorte na empreitada.

Taty disse...

Caixas, caixas e caixas....às vezes penso que isto é invenção do ser humano apenas pra nos deixar mais confusos. Pior do que objetos guardados e dos quais não lembramos, são os que ficam na famosa "observação" que pode levar anos!
Por falar em passado e em caixas, resolvi fazer nostalgias musicais: Supertramp, Peter Frampton e acabei postando vídeos antigos ( tá vendo o que as caixas fazem? )no Orkut, vídeos antigos que trazem saudades gostosas. De vez em quando eu abro a minha caixinha interna, que chamo de Caixinha de Pandora da Taty....sai cada coisa! afe!
Aliás vou contar uma coisa hilária: até hoje tenho distintivos, é assim que chama, não lembro..pra serem costurados em jaquetas, casacões e que estão guardados....sabe de que ano? 1984, comprados em Saint Tropez e não tenho coragem de me desfazer deles.
Você está me inspirando a começar uma arrumação externa, hahahaha....porque a interna, se arrumar vai perder a graça!
Cuidado com as caixas, você pode tropeçar e cair de joelhos.

Lena disse...

Ah nesses dias de caos na minha vida nada como ler seu blog, como guardamos coisas que um dia ao reencontrar dá uma saudade!!!!
Agora o David Bowie é do meu tempo e não do seu hein El Bigodão , ahahahahahahahah, ofensas não hein ahahah
bjs